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terça-feira, 20 de março de 2012

Bom Paper!

A (NÃO) APLICAÇÃO DAS ABORDAGENS DO PROCESSO ENSINO/APRENDISAGEM NA DOCENCIA PRÁTICA DE LÍNGUA PORTUGUESA


MATOS, Maria Izabel Freitas Santos de.[1]
ARAÚJO, Antônio de Souza Alves de.²
SANTOS, Fernanda
SANTOS, Ravena de Oliveira
SILVA, Reinanda Queise Bispo da.


RESUMO: O estudo em questão trata de uma investigação a respeito da prática docente de duas professoras de Língua Portuguesa/Literatura para verificar a utilização das práticas pedagógicas e o uso das abordagens do processo ensino/aprendizagem. Com o objetivo de verificar se as educadoras utilizam em sua prática um trabalho voltado para as abordagens do processo. Para este fim buscou-se a metodologia constituindo-a da pesquisa qualitativa, o mesmo que estudo de caso que foi embasado nas técnicas de roteiro e observação de entrevista. A partir da análise e interpretação dos dados percebe-se que as educadoras de língua portuguesa não aplicam à práxis educativa do processo ensino/aprendizagem, essas fazem uso da abordagem tradicional mesclando com outras abordagens tais como: cognitivista e sócio-cultural. Portanto, para que se concretize o ensino/aprendizagem, é preciso que o professor seja dotado de habilidades para aplicar a prática educativa, adequando-as às vivências diárias dos alunos.
Palavras-chave: Prática educativa. Práxis. Língua Portuguesa.


1  INTRODUÇÃO

O estudo em apreço iniciou-se a partir dos conhecimentos obtidos nas aulas de Prática Pedagógica I que forneceu uma base de dados teóricos da abordagem do processo ensino e aprendizagem. Em virtude das discussões em sala de aula, foi desenvolvido um trabalho voltado para observações in lócus, que significa uma pesquisa a respeito da prática docente do educador de Língua Portuguesa/ Literatura, considerando a (não) aplicação das abordagens do processo ensino e aprendizagem tratada por Mizukami (1986).
Por conseguinte, fez-se necessário a examinação dos recursos e informações contidas nas abordagens do processo ensino e aprendizagem a considerar: Tradicionalista, comportamentalista, humanista, cognitivista e sócio-cultural na ação educativa do professor de Língua Portuguesa/Literatura. Não desconsiderando sua aplicação e planejamento da práxis do ensino e aprendizagem nas aulas.


A PRÁTICA PEDAGOGICA COM FOCO NAS RELAÇÕES


É importante e fundamental a formação educativa das gerações em todos os aspectos sociais, não se restringindo apenas a um ambiente. No entanto a educação que é realizada dentro dos sistemas educacionais, a educação formal que acontece dentro das escolas deve promover a interação entre os indivíduos visando o preparo para o convívio social. Nesse aspecto Mizukami (1986), Libâneo (1994), Zabala (1998), pesquisadores desse processo defendem com o mesmo enfoque que o ensino e aprendizagem devem ser ampliados para além da questão do que ensinar, encontrando sentido de acordo com a realidade social e intelectual dos indivíduos, "desde o início da historia da humanidade, os indivíduos e grupos travavam relações recíprocas diante da necessidade de trabalharem conjuntamente para garantir sua sobrevivência" (Libâneo, 1994, p.19).
O professor de Língua Portuguesa/ Literatura nesse contexto deve ter uma postura norteadora no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, é necessário ter em mente que a prática docente do educador tem papel fundamental no desenvolvimento e aprendizagem do seu aluno. Segundo Zabala (1998), o valor das relações que se estabelecem entre os professores, os alunos e os conteúdos no processo ensino tem grande importância. Comenta que essas se sobrepõem às sequencias didáticas, visto que o professor e os alunos possuem certo grau de participação nesse processo.
Para que se efetive a práxis docente, o professor precisa construir conhecimento a partir do que faz, para isso, também precisa buscar sentido no que faz e no que aponta como importante em suas aulas, e o que fazer dos seus alunos.


METODOLOGIA


O estudo hora abordado, desenvolveu-se a partir de uma pesquisa qualitativa, ou seja, um estudo de caso utilizando como técnicas a observação e entrevista, com seus devidos instrumentos norteadores da pesquisa, são eles: roteiro de observação e roteiro de entrevista, não deixando de considerar a amostra que foi o universo da prática docente do professor de Língua Portuguesa/ Literatura.
Análise e interpretação do caso I:
A docente Bia, do sexo feminino, 42 anos, formou-se em magistério, posteriormente graduou-se pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB), licenciando-se em letras, já tendo mais de 18 anos em exercício da docência.
Para tal, fez-se necessário o estudo in lócus nos colégio Hercília Tinoco de Andrade, cuja educadora leciona em uma turma de ensino regular, 9 ano (antiga 8 série), no turno matutino, totalizando-se 3 dias de observações.
No primeiro encontro, com a educadora foi possível verificar a pratica docente na sua metodologia de ensino. A educadora retomou um assunto já abordado em aulas anteriores, que tratava de uma discussão a respeito do seguinte tema: violência contra a mulher. A turma apresentou as pesquisas que falavam do tema em questão. A partir daí foi solicitado pela professora à produção de textos que sintetizassem o tema citado anteriormente. A aula deu-se por encerrada com as produções textuais.
No segundo encontro a docente organizou subgrupos para a leitura dos textos produzidos na ultima aula, em conseqüência foi possível debater o tema em apreço, havendo interação da educadora com a turma. Ao finalizar o debate foi dada sequencia a aula com um novo conteúdo gramatical: homônimos. Foi feita uma orientação individual aos alunos que apresentavam duvidas.
A última aula observada iniciou-se com um exercício de fixação relacionado com o assunto trabalhado na aula passada, a educadora transcreveu para o quadro algumas perguntas, fornecendo um tempo para a classe copiar e responder. Por fim foi feita a correção da atividade já desenvolvida.
Em observação a prática da docente, percebemos que esta utiliza o lúdico para dinamizar as aulas, visando facilitar o aprendizado do aluno, em suas aulas notamos as variações dinâmicas, sendo exigido dos alunos trabalhos em grupos e suas conseqüentes apresentações, fornecendo a interação e o dialogo entre a classe e a própria educadora. Percebeu-se também a exposição de conteúdos gramaticais de forma contextualizada. Trabalhou com temas que englobam a realidade do cotidiano, promovendo debates e com isso levando a uma reflexão do que foi discutido. A partir desta análise constatamos que sua prática educacional é tradicionalista, e seu conteúdo apresenta características de uma abordagem sócio-cultural.
Esta análise foi feita com base em Mizukami (1986), que na abordagem tradicional fala que a educação pode ser exemplificada como bancária (o professor deposita os conhecimentos, e o aluno recebe-os passivamente). Já a abordagem sócio-cultural segundo Mizukami, propõe modelos metodológicos compatíveis com as experiências vividas pelos alunos.
Análise e interpretação do caso II:
A docente Ana, sexo feminino, 29 anos, graduada pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB), em Letras com Inglês, sendo este o seu primeiro ano lecionando em uma turma de EJA (Educação para Jovens e Adultos). Foram assistidas 5 horas/aulas durante três dias.
Na primeira aula observada da educadora, foi retomado o conteúdo pronome possessivo. A mesma passou algumas questões sobre o que foi trabalhado, após a execução do exercício, foi feita uma correção coletiva. Esse processo segundo a professora tem sido lento, pois muitos alunos apresentam dificuldades para acompanhar e assimilar os conteúdos. Para finalizar a aula foi sugerido que cada aluno escolhesse um texto para fazer a leitura e trazer para o próximo encontro.
No segundo encontro, Ana pediu que os alunos fizessem a leitura individual dos textos solicitados na ultima aula para ser trabalhado neste momento. Foi organizada uma breve discussão com comentários sobre os textos. Após o desenvolvimento desta atividade, iniciou-se, um novo momento, com aplicação de um conteúdo gramatical: classificação dos verbos, o assunto foi introduzido, porém não houve tempo suficiente para a conclusão.
Na última aula observada, foi dada continuidade a explicação de um assunto já trabalhado (variações do verbo), os alunos apresentaram algumas dificuldades de assimilação, no entanto a professora fez um pequeno exercício de fixação. Em seguida corrigiu-o contando com a participação da classe. Em outro momento da aula a docente anunciou que apresentaria um filme: “A procura da felicidade”, com o objetivo de solicitar da turma um resumo do que foi depreendido do filme.
Diante dos fatos observados, notou-se nas aulas dessa educadora uma dedicação em orientar individualmente seus alunos, atentando-se as necessidades de cada um. As aulas eram ministradas usando a repetição e recapitulação, considerando as deficiências de habilidades e absorção do conteúdo trabalhado. A educadora mostrou-se com dificuldades para despertar a atenção da turma, em relação às atividades propostas.
Desse modo foi possível perceber a tendência de uma pratica educacional tradicionalista, mesclando com outras abordagens tais como: cognitivista e sócio-cultural. Isso fica claro em momentos que a educadora atua na execução de exercícios e explicações supervalorizando o conteúdo. Ela muitas vezes posicionava-se como transmissora do conhecimento, e os alunos assumiam um caráter de armazenadores de informações. Em alguns momentos a docente tentou dinamizar as aulas, mas sempre presa ao seguimento teórico dos estudos. Essa interpretação se deu com base em Mizukami (1986), suas abordagens se correlacionam com as descrições acima.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação como processo social coloca-se para assegurar aos indivíduos uma interação com o mundo de acordo com suas vivencias. É importante que a escola socialize seus métodos educacionais com a formação integral dos alunos, pois assim a cidadania torna-se indiscutivelmente viável.
Assim, faz-se necessário à busca de uma nova reflexão educativa, onde a práxis tem que ser uma constante na ação docente beneficiando o ensino e aprendizagem, o agente escolar deve desenvolver um conjunto de competências e habilidades, afim de que os alunos possam aprender compreender e refletir sobre a realidade. Tornado-se participativos no contexto de uma sociedade empenhada na prática transformadora do futuro.

REFERÊNCIAS

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: As abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.


LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.


ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.



[1] Orientadora do Componente Curricular Prática Pedagógica.
² Discentes do Semestre Letras Vernáculas 2010.1Vespertino, pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB).

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